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  Estatuto


Jorge Viana questiona políticas do governo para Amazônia
09/12/2008

Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


Asfaltamento de rodovias, esvaziamento do Plano Amazônia Sustentável e falta de investimentos do PAC no desenvolvimento regional foram as principais críticas que o ex-governador do Acre Jorge Viana - uma das principais lideranças do PT na Amazônia - dirigiu ao governo federal em encontro sobre a economia sustentável para Amazônia, organizado pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro em ocasião dos vinte anos da morte do líder seringueiro Chico Mendes.

Ao mesmo tempo em que Viana destacou a proximidade histórica do presidente Lula com Chico Mendes - lembrando que o atual presidente chegou a "fretar um avião fiado" por fazer questão de participar do enterro do companheiro - o ex-governador (hoje consultor de empresas privadas e temporariamente fora da atividade política) lamentou a falta de concretização das políticas para a sustentabilidade da região.  "Porque dar prioridade a uma estrada como a BR-319 - questionou - quando corre em paralelo a uma hidrovia que atende todas as necessidades de transporte por um custo muito menor?", lembrando das dificuldades em seu próprio estado para conter a especulação no caso da BR-364, apesar de políticas de prevenção que ele mesmo criou.  "Precisamos avançar no caminho da economia da floresta, como fazem, por exemplo, entidades como Amigos da Terra e FSC - explicou - e como eu esperava quando chamei os governadores em 2003 para Rio Branco para conceber o PAS, que hoje acabou num ministério sem estrutura.  O ministro Mangabeira poderá dar palestras de alto nível sobre Amazônia, mas não tem como fazer as coisas acontecerem".

O debate, que foi moderado pelo comentarista econômico da Globo News, Georges Vidor, contou também com a participação do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ), que lamentou o novo ataque ao código florestal em andamento no Congresso, em contradição com as oportunidades que se abrem no cenário internacional em relação a acordos para evitar desmatamento.  Gabeira defendeu que a crise financeira abre oportunidades para novas opções de desenvolvimento, um tema sobre o qual insistiu também o diretor de Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, ao explicar que a economia florestal não é apenas manejo da floresta, e sim um conjunto que envolve pesquisa, tecnologia avançada, indústria e infra-estrutura adequadas para "transformar a vantagem comparativa do Brasil em vantagem competitiva".

Participaram do debate diversas lideranças empresariais - como João Augusto Fortes, Luiz Cláudio Castro da Vale, o presidente do FSC Internacional Roberto Waack, Bia Saldanha do Couro Vegetal e Fernando Allegretti da Natura - e de movimentos da sociedade civil, entre outros Rodrigo Baggio do CDI, o verde Alfredo Sirkis, um dos vereadores mais votados no Rio de Janeiro, o indígena Ailton Krenak e o pesquisador Tarcísio Castro da UFRJ.

 
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